terça-feira, 10 de novembro de 2015

VIDA NO JARDIM

VIDA NO JARDIM

Tradução do Artigo “Life In The Garden” do Pr. Jack Kelley
Por Jurandir Britto de Freitas


Havia tanta paz e harmonia no Jardim. Toda necessidade era atendida, todos os desejos do coração cumpridos. Estudiosos especulam sobre o tempo que Adão e Eva usufruíram da vida no Jardim, mas ninguém realmente sabe. Creio que foi o tempo suficiente para lhes dar uma perspectiva muito clara sobre as diferenças que eles experimentaram depois da queda. A vida no Jardim está tão profundamente impressa na memória do homem que tem sido material de mitologia e objeto de livros desde então. O livro “Utopia” de Sir Thomas More é apenas um exemplo, embora talvez o mais famoso.

Decisão De Quem Foi Isso?

O que levou Adão e Eva para fora do Jardim? Nada mais do que a substituição da sua própria vontade em detrimento da de Deus. Ele lhes havia dado tudo, incluindo a liberdade de se preocupar. Ele aceitou total responsabilidade por o seu bem-estar, providenciando e os sustentando física, mental, emocional e espiritualmente.

Quando começaram a tomar decisões por si próprios Ele os deixou, mas Ele também os deixou compartilhar um pouco da responsabilidade por suas decisões. Esta responsabilidade partilhada lhes trouxe sentimentos desconhecidos na criação, até então. A palavra hebraica que descreve esses sentimentos é traduzida tristeza na versão King James e dor ou labuta dolorosa na NVI. Ela é usada apenas três vezes. Duas delas estão em Gênesis 3:16,17, os versos que descrevem as conseqüências de suas decisões.

16 E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. 17 E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida.

A única outra vez que ela é usada está em Gênesis 5:29, onde descreve como o Senhor traria alívio para esses sentimentos.

pôs-lhe o nome de Noé, dizendo: Este nos consolará dos nossos trabalhos e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o SENHOR amaldiçoou.
Lameque chamou o seu filho Noé, que significa conforto. Mas como Noé trouxe ao mundo conforto da maldição? Bem, uma maneira foi que ele preservou a pureza da linha messiânica, evitando o ataque contra a humanidade que produziu o Nefilim e contaminou o pool genético humano. Isso fez a vinda dAquele que, realmente, nos daria conforto possível.

Mas acredito que Lameque também sabia que Noé era para ser o último dos 10 patriarcas do tempo antes do Grande Dilúvio e, porque chamou seu filho de Noé, seus 10 nomes poderiam ser formados em uma única frase que resume a história completa Evangelho. "O homem (Adão) é designado (Sete) mortal (Enos) e em tristeza (Cainã), mas o Deus bendito (Maalalel) descerá (Jarede), ensinando (Enoque) que Sua morte trará (Metusalém) aos desesperados (Lameque) conforto (Noé)". É uma profecia do Messias que levou 10 gerações para escrever, mas ela trouxe muito conforto para o mundo, porque tinha que ter vindo de Deus. Que tipo de coincidência poderia ter produzido o contrário?

Mas o ponto mais importante a lembrar é este. Adão e Eva aprenderam que tristeza e labuta dolorosa entraram em suas vidas como resultado de buscar a independência de Deus.

Responsabilidade Compartilhada

Quando digo que o Senhor deixou-os compartilhar um pouco da responsabilidade, aqui está o que quero dizer. Mesmo que eles tinham acabado de fazer o segundo maior erro na história do homem (o maior foi o assassinato do seu Messias por Israel) e mesmo que Deus pudesse tê-los feito desaparecer e começado novamente com outro punhado de terra vermelha (Gn 2:7), Ele ainda os observou e cuidou deles como Seus filhos.

Seu primeiro ato de bondade depois da queda foi o de providenciar comida para eles, mesmo que tivessem que trabalhar para ela. Seu segundo foi vesti-los. Seu terceiro foi enviar um querubim para guardar o caminho para a Árvore da Vida, preservando o seu caminho de volta para o Jardim, uma vez que as consequências de suas ações tivessem sido revertidas na cruz (Rm 8:20,21).

De nenhuma maneira poderiam Adão e Eva anular o resultado da sua decisão, mas, por causa da Sua grande misericórdia, eles poderiam aprender com ela e, voluntariamente, submeter sua vontade de volta ao Senhor, que ainda era o seu Provedor (El Shaddai). Quando o fizeram, Ele os abençoou com vida longa e muitas crianças, sinais de Seu favor. E, apesar de que suas circunstâncias tenham sido alteradas para sempre, eles novamente caminhavam e conversavam com Deus e estavam em paz com Ele, apesar dessas circunstâncias. Em outras palavras, mesmo que não pudessem viver fisicamente no Jardim, eles poderiam alcançar um estado de espírito do Jardim.

Lições Da História

O filósofo alemão Hegel uma vez disse: "A única coisa que aprendemos da história é que nós não aprendemos nada com a história". Mas, em Romanos 15:4, Paulo escreveu que "pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança."

Em outras palavras, as lições que começaram no Jardim ainda se aplicam hoje. Devemos aprender tanto dos erros de Adão e Eva quanto da resposta do Senhor.

Como Adão e Eva, somos o povo de Deus. Enquanto nós nos submetemos à Sua vontade todas as nossas necessidades serão satisfeitas e Ele vai assumir a plena responsabilidade para o nosso bem-estar (Sl 37:4 e Mt 6:31-33.). Mas, quando começamos a exercitar nossas próprias prerrogativas, Ele começa a partilhar essa responsabilidade conosco. Quanto mais agirmos de forma independente, mais responsabilidade Ele compartilha. Junto com a responsabilidade compartilhada vêm a tristeza e labuta dolorosa.

Quando nos entregamos novamente, Ele assume a responsabilidade de volta. Uma vez que Ele não nos deu o pleno uso da dimensão do tempo, não podemos voltar atrás e anular as consequências das nossas decisões independentes, mas, como Adão e Eva, podemos aprender com elas e, voluntariamente, submetermos a nossa vontade de novo ao Senhor, que ainda é o nosso Provedor. Tudo o que Ele requer é confissão e uma vontade de começar de novo. Suas misericórdias se renovam a cada manhã, assim também nós podemos alcançar um estado de espírito do Jardim, apesar das nossas circunstâncias, tal como os nossos primeiros pais.

Está Tudo Em Sua Mente

Um dia, em breve, o Senhor vai nos conduzir de volta para o Jardim real, aquele no Céu. Mas, até lá, há o Jardim do estado de espírito. Estes são tempos perigosos e cada indicação é que eles se tornarão mais perigosos ainda. Se estiver estressado em excesso sobre eles, talvez você esteja assumindo muita responsabilidade, tentando impor sua própria vontade em coisas que não pode controlar, em vez de confiar em Deus e viver segundo a Sua vontade. Se assim for, você está vivendo fora do Jardim, onde está cheio de tristeza e labuta dolorosa.


Jesus disse: "Vinde a mim todos os que estais cansados ​​e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28). Entregue sua vida a Ele de novo e se alivie da responsabilidade. Você pode não ser capaz de reverter os efeitos de suas decisões passadas, mas, se você se aproximar de Deus, Ele vai se aproximar de você e levá-lo com segurança através deles. Assim como Adão e Eva fizeram, você vai encontrar que a vida é melhor no Jardim, mesmo quando é apenas um estado de espírito. Pausa para meditação. 19-07-08