A IMPORTANTÍSSIMA DISCIPLINA DA CONFISSÃO DE PECADOS
Por Jurandir Britto de
Freitas
9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e
justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. 10 Se
dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra
não está em nós (1 Jo 1:9,10).
Já faz bastante tempo não tenho ouvido pregações
contra os pecados, mas faz muito mais tempo que não tenho ouvido nada sobre o
tratamento adequado aos pecados.
Parece-me que a era das igrejas-clubes e
igrejas-empresas cauterizou a mente dos fiéis como se o pecado fosse um simples
desvio de conduta que pode ser lavado como se lava a mão. Quão infelizes tempos
que estamos vivemos!
Pode-se até ver um certo esforço na tentativa de
evangelização mas mesmo tal abordagem tem sido deficiente. Muitos pretensos
evangelistas estão preocupados em obter uma declaração de adesão de um
potencial “freguês”, induzindo-o a dizer que “Jesus Cristo é Salvador”.
Não vou me deter nestes detalhes evangelísticos
agora nem no que entendo hoje como a salvação se processa, mas chamo a atenção
para as palavras de Paulo em 1 Coríntios 15:1-4:
1 Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos
anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; 2 por ele também sois
salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais
crido em vão. 3 Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo
morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, 4 e que foi sepultado e
ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
Assim, em essência, quando cremos que somos
pecadores, que Jesus morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou,
somos salvos e Deus coloca em cada um de nós o Santo Espírito, selando-O em nós
como garantia da nossa salvação. Mas não é só isso.
Quando somos salvos, todos os nossos pecados,
passados, presentes e futuros, são perdoados. A penalidade da culpa do pecado
não mais nos atinge e não há nada, nem no campo material nem no campo
espiritual, que possa desfazer este estado de coisa pois:
38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem
a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do
porvir, nem os poderes, 39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra
criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso
Senhor (Rm 8:38,39).
Mas, de repente, somos confrontados não só com a
declaração de João do introito como com a declaração de Paulo abaixo:
18 Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne,
não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.
19 Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. 20
Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que
habita em mim. 21 Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal
reside em mim. 22 Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de
Deus; 23 mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da
minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. 24
Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (Rm 7:18-24).
Será que, num determinado momento da nossa vida,
ganhamos uma salvação que deveria ser eterna e, num momento posterior,
perdemos a mesma? Como seria a operação dessa força descomunal, capaz de
arrancar o Espírito Santo que havia sido selado em nós pelo próprio Deus
Onipotente? É óbvio que isto é biblicamente impossível.
Mas, se todos os nossos pecados já foram perdoados,
o que os pecados que cometemos podem causar na nossa vida?
Tudo isso se resume na ação do Espirito Santo em
nós. Somos informados que:
Não apagueis o Espírito (1 Ts 5:19).
E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual
fostes selados para o dia da redenção (Ef 4:30)
Como podemos apagar o Espírito? Simplesmente não usando
os dons que Ele nos dá, mas isto não é assunto deste estudo.
E como podemos entristecer o Espírito? Simplesmente
pecando e deixando os pecados inconfessos. Afinal é o Espírito Santo quem nos
convence do pecado, da justiça e do juízo, segundo João 16:8.
Existem duas posições sobre as quais todos os
crentes devem ter plena consciência e entendimento.
A primeira é a nossa posição eterna da salvação, que
é irrevogável e irretratável e nada pode alterá-la, conforme vimos acima.
A segunda é a nossa comunhão com Deus, que pode ser
interrompida se não cuidada adequadamente.
Como crentes, temos algumas disciplinas que devem
fazer parte da nossa vida diária, que são o estudo da Palavra e a oração.
Mas existe uma disciplina que é negligenciada por
muitos, que é a disciplina da confissão dos pecados. A confissão deve ser uma
rotina na nossa vida, pois não conseguimos parar de pecar.
Assim, todas as vezes que o Espírito Santo nos
alertar que cometemos algum pecado, devemos imediatamente parar o que estamos
fazendo e simplesmente confessar esse pecado a Deus.
Além disso, nas nossas orações diárias, devemos
dedicar um tempo para repassar as potenciais áreas de pecado para verificar se
infringimos algum dos mandamentos de Jesus.
Também sem me dedicar à qualquer discussão
teológica, a Lei de Moisés terminou com a morte de Jesus (Rm 10:4) e foi
substituída por um novo ordenamento jurídico chamado de Lei de Cristo (Gl 6:2),
que é um conjunto de aproximadamente 330 ordenanças contidas nas Epístolas, que
passaram a ser a nossa norma de conduta.
Sem querer ser conclusivo no assunto, listo abaixo
as seguintes áreas potenciais de pecado em nossas vidas:
INCREDULIDADE
AUTO-JUSTIÇA
AUTO-PIEDADE
AUTO-INDULGÊNCIA
COBIÇA
INVEJA
MENTIRA
HIPOCRISIA
DISSIMULAÇÃO
LÁBIOS IMPUROS
IMORALIDADE SEXUAL
GANÂNCIA
EGOÍSMO
IDOLATRIA
AVAREZA
LIBERAÇÃO DE PERDÃO
PEDIDO DE PERDÃO
IMPIEDADE
CRUELDADE
MALDADE
MURMURAÇÃO
ANSIEDADE
FALSO TESTEMUNHO
MUNDANISMO
INGRATIDÃO
AMARGURA
Esta é uma mera listagem feita com a minha própria
nomenclatura, que ainda pode estar incompleta, portanto cada um pode expandir
ou contrair de acordo com sua própria interpretação e critério.
Finalizando, tem mais um ponto importante: Como fica
o arrependimento?
Arrependimento, na acepção bíblica, não significa
parar de cometer um determinado pecado – é óbvio que devemos tentar parar de
cometer pecados – mas ter a consciência que uma determinada ação é um pecado e
mudar o entendimento sobre tal.
Quando nos entregamos a Deus em oração para
confessarmos nossos pecados, o próprio processo de conscientização na confissão
de que cometemos um pecado já é o próprio arrependimento.
Assim, “se
confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9) e a nossa comunhão com Deus é
imediatamente restabelecida.
Que o Espírito Santo nos ajude a praticarmos sempre
esta disciplina importantíssima na nossa vida de seguidores de Jesus, pois só
ela restabelece a nossa comunhão com Deus.
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