UMA
QUESTÃO QUE TODOS NÓS TEMOS PERGUNTADO
Tradução do Artigo “A Question We’ve All Asked” do
Pr. Jack Kelley
Por Jurandir Britto de Freitas (ao receber a notícia
do falecimento de Jack Kelley)
Atualização:
Ontem à noite, após um belo momento de oração e adoração sobre ele, Jack voltou
para casa ao encontro de seu Salvador. Não foi a cura que eu, e tantos outros,
pedimos e acreditamos. Mas é, nas palavras do Jack, a cura definitiva. Abaixo
estão as palavras que ele escreveu em 2.006 que me trazem conforto neste momento,
enquanto meu coração está quebrado. Oro para que elas lhe deem conforto também.
Um
Estudo Bíblico por Jack Kelley
A
pergunta seguinte foi enviada para a nossa coluna "Pergunte a um Professor
de Bíblia" esta semana. Desde que é uma questão tão importante, estou
respondendo em nosso formato de artigo de modo a proporcionar maiores detalhes.
Isso também permitirá que mais pessoas possam vê-lo, porque é uma pergunta que
todos nós já fizemos.
Pergunta:
Eu descobri recentemente o seu site e achei-o muito informativo. Tenho aprendido
muito sobre muitas das questões discutidas.
No
entanto, ainda há uma série de coisas que não entendo. A cerca de dois anos
atrás descobri Deus, Seu plano de salvação e as muitas promessas maravilhosas
que Ele fez para nós. Li em Romanos de como Ele as faz virem para o bem dos que
creem nEle. Li nos Evangelhos sobre como dois ou mais crentes orando por uma
coisa comum têm suas preces atendidas. Li de como os crentes deveriam pedir ao
Pai e isso deveria ser dado a eles.
Imagine
como me senti no verão, quando a minha parceira foi diagnosticada com câncer e,
após uma curta batalha, foi chamada para casa em Agosto. Sei que muitas pessoas,
incluindo eu mesmo, oraram por sua recuperação, mas em vão. Acho impossível
conciliar as circunstâncias que têm prevalecido na minha vida pessoal com
aquelas promessas que Deus fez para nós e que fiz menção acima.
Você
pode me ajudar a preencher esta lacuna no meu entendimento?
Resposta:
Quem, entre nós, não teve orações desse tipo aparentemente sem resposta e se
admiraram do conflito que isso cria entre as promessas da Bíblia e as nossas
experiências?
Vida
Após A Morte
Na
morte de um crente, temos de compreender duas coisas. A primeira é que estamos
todos infectados com uma doença terminal. Não é um caso de se vamos morrer, mas
quando. Ninguém morre de morte natural, porque não é natural seres eternos
morrerem. A morte veio ao mundo como resultado do pecado.
E
a segunda é que, para um crente, a morte é a cura definitiva. A morte traz a
vida que estávamos sempre com a intenção de viver e já estaríamos vivendo não
fosse nossa natureza pecaminosa. Para o crente "morto" todos os
problemas, dores e tristezas da vida estão terminados e uma vida eterna
gloriosa de bênção e abundância o aguarda.
Quanto
mais sabemos sobre a vida após a morte menos nos apegamos à vida antes dela. E,
uma vez que só Deus conhece o fim desde o princípio, só Ele pode saber a dor e o
sofrimento que está impedido ao chamar alguém para casa mais cedo. Perece o justo, e não há quem se impressione
com isso; e os homens piedosos são arrebatados sem que alguém considere nesse
fato; pois o justo é levado antes que venha o mal (Is 57:1).
Então
o que falar dos amigos sobreviventes e familiares? Como pode a morte de um ente
querido trazer o bem para os sobreviventes? Primeiramente, é o conhecimento
óbvio de que a separação é apenas temporária para os crentes e uma reunião
gloriosa se seguirá. Temos o benefício de uma perspectiva eterna. E, para os
não-crentes, isso apresenta uma oportunidade para serem salvos da segunda
morte, a permanente, e se reunirem para sempre com os entes queridos falecidos.
Mas,
então, a nossa fé entra em jogo. Se acreditarmos nas promessas de Deus, então
tem que haver uma relação mais direta e benéfica de causa e efeito entre a
morte de um ente querido e a vida do sobrevivente. Nosso trabalho é buscar por
ela. Somos informados para andarmos pela fé e não pelo que vemos, mas o nosso
inimigo vai tentar nos manter focados no que vemos, a ausência do nosso ente
querido, fazendo com que a nossa fé vacile e nos impedindo de experimentar o
bem que possa vir. As promessas de Deus são mais reais do que a nossa
realidade, não atentando nós nas coisas
que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as
que se não vêem são eternas (2 Co 4:18).
De
longe, a mais dolorosa experiência de coração espremido desse tipo que já
encontrei foi o caso de uma mãe e um pai que conheço. Enquanto caminhava na
calçada da cidade com seu filho de 2 anos de idade, um caminhão de entrega
pulou o meio-fio, fatalmente atingindo a criança. O motorista estava bêbado e,
de fato, tinha um histórico de embriaguez no trabalho. Na ação judicial que se
seguiu o tribunal concedeu uma indenização substancial para os pais devastados.
Eles pegaram o dinheiro e fundaram uma pré-escola cristã em nome de seu filho,
que logo se expandiu numa escola cristã particular, da pré-escola até a oitava
série, em um belo campus seguro.
Vários
milhares de crianças, desde então, se beneficiaram de uma educação cristã primária
de qualidade e acessível e este casal tem ajudado dezenas de pais enlutados a
lidar com perdas semelhantes ao longo do caminho. É um exemplo de 2 Coríntios
1:3,4, que todos os que os conhecem se sentem privilegiados de terem observado.
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor
Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos
conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em
qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por
Deus. Eles levaram a sério esses versículos com base em sua crença de que,
para todos nós, a nossa vida é um ministério e nossas tristezas são nossas
credenciais. Em outras palavras, cada um de nós é unicamente qualificado para
ministrar a alguém que experimente tragédias semelhantes às que temos
enfrentado.
Eles
tinham todo o direito de ficar com raiva, vítimas amargas, e gritar e esbravejar
com Deus por permitir que isso acontecesse com eles. Mas eles escolheram um
caminho mais excelente. Eles entenderam que Deus não matou seu filho. Isso foi
a obra do mal que permeia este lugar escuro. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno (1
Jo 5:19).
Sabemos
que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que
são chamados segundo o seu propósito (Rm 8:28).
Deus
nunca nos prometeu que nada de ruim iria acontecer conosco. Na verdade, Ele
prometeu o oposto. "No mundo,
passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (Jo
16:33). O que Ele prometeu é que Ele podia fazer até mesmo as coisas ruins que
acontecem trabalharem para o bem. Cabe a nós acreditarmos naquela promessa e procurarmos
o seu cumprimento. Para os meus amigos, a escola mantém a memória de seu filho
vivo em seus corações, enquanto que a sua fé lhes diz que, em breve, vão se
reunir para sempre. A bênção que eles providenciaram para milhares de outros
através desta tragédia é óbvia.
Oração
Sem Resposta?
Com
relação às nossas orações há um par de coisas para manter em mente. A primeira
é que Deus reserva para Si o direito de escolher tanto o momento quanto os
meios pelos quais Ele responde as orações. Temos que entender que os Seus
caminhos não são os nossos caminhos e Seu tempo é sempre perfeito. Nós não
perdemos tempo esperando nem ganhamos tempo por tentar forçar Sua mão. Ele
respondeu a oração de Abraão por um filho, mas esperou 25 anos antes de
fazê-lo. O mundo está pagando um enorme preço hoje por Abraão e Sara se recusarem
a esperar no Senhor.
Só
porque não obtemos algo quando queremos e da maneira exata que queremos não
significa que Deus parou de responder às nossas orações ou manter Suas
promessas. Podem haver algumas outras coisas que temos que cuidar primeiro ou que
Deus possa escolher uma outra maneira de responder a oração que nós não vemos,
uma maneira melhor.
Pois
tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de
que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança
(Rm 15:4).
Deus
prometeu a Israel um Reino e um Rei que lhes trarão paz. Eles têm orado a Ele
para manter essa promessa por milhares de anos. O mundo, até mesmo grande parte
do mundo cristão, ri deles e lhes diz que Deus se esqueceu deles. Isso nunca
vai acontecer, dizem eles.
Deus
é fiel e Ele tem a intenção de responder às suas orações e manter Sua promessa.
Mas há algo que eles têm que fazer primeiro e, até que o façam, Ele tem que
esperar. Eles têm de reconhecer quem é seu Rei e restaurar seu relacionamento
com Ele. Então, Deus vai agir.
União
E Comunhão
Assim
é conosco e esta é a segunda coisa a se ter em mente. Isto pode não soar familiar
para aqueles de vocês que têm sido ensinados "no Cristianismo Light",
mas há dois componentes para o relacionamento do crente com Deus. Um é chamado
de União. Diz respeito à nossa eternidade e é irrevogável, garantindo nosso
lugar no Seu Reino. (Ef 1:13,14). A União acontece no momento em que ouvimos o
Evangelho e cremos e Deus sela o Seu Espírito Santo dentro de nós.
O
outro é chamado Comunhão e ela vem com União. Mas a Comunhão afeta a nossa vida
aqui na Terra e está sujeita à suspensão (1 Jo 1:8,9). Quando deixamos de
confessar os nossos pecados, nós suspendemos temporariamente o nosso
relacionamento com Deus, porque Ele não pode habitar na presença do pecado. Não
podemos perder a nossa salvação (União), mas, durante aqueles momentos em que
estamos fora da Comunhão, não temos o direito de pedir a Deus por qualquer
coisa, exceto o perdão. E o que é mais, nós saímos fora da Sua proteção e nos
tornamos presas fáceis para as travessuras do inimigo.
O
Livro de Jó é um exemplo da diferença entre União e Comunhão. A retidão de Jó
fez dele orgulhoso, um pecado aos olhos de Deus. Quando Satanás pediu para
atormentá-lo, Deus teve que concordar, apesar do fato de Jó ser um dos homens
mais justos sobre a Terra, porque ele não tinha confessado seu pecado. Enquanto
Jó confiou em sua própria justiça, ele ficou vulnerável a ataques e nenhuma das
suas queixas poderia mudar isso, mesmo que continuasse a ser um filho de Deus.
Quando ele confessou, Deus colocou um fim ao tormento e o restaurou. A lição
que Jó aprendeu através do seu calvário (e que nós deveríamos aprender também
de acordo com Romanos 15:4) é que, quando nós justificamos a nós mesmos, nós
condenamos a Deus. Sempre que começamos a pensar que não merecemos algo de ruim
que está acontecendo a nós, nós, efetivamente, acusamos a Deus de ser injusto.
É parte da nossa natureza humana olhar para fora de nós mesmos pela culpa, mas isso
atrasa a nossa reconciliação com Deus.
Para
um exemplo do Novo Testamento, leia a parábola do Filho Pródigo. (Lc 15:11-32).
O filho pródigo nunca deixou de ser filho de seu pai, mas, enquanto estava
vivendo uma vida pecaminosa, ele estava fora da comunhão, privado das bênçãos
de seu pai. Quando caiu em si e confessou, ele foi restaurado. Todos os cristãos
têm união com Deus e estão garantidos com um lugar no Seu Reino, mas muitos vivem
suas vidas inteiras fora da Comunhão por causa de seus pecados não confessados e
perdem bênçãos incontáveis, acumulando
montanhas de orações
não respondidas.
Por
causa da cruz, manter a nossa Comunhão é tão fácil quanto invocar 1 João 1:8,9,
“Se dissermos que não temos pecado
nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça”.
Deus
é justo e reto e não pode mentir. Ele tem um histórico de 6.000 anos de
desempenho sem mácula. Sempre que parece que Suas promessas não estão se
tornando realidade, você pode apostar que é devido à nossa falta de compreensão,
não Sua falta de integridade.
Obrigado
Peter, por submeter esta pergunta que todos nós já perguntamos. Pausa para
meditação. 04-11-06
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