quarta-feira, 14 de outubro de 2015

PORQUE ORAÇÕES DE CURA FALHAM - PARTE 1

PORQUE ORAÇÕES PARA CURA FALHAM - PARTE 1

Tradução do Artigo “Why Prayers For Healing Fail, Part 1” do Pr. Jack Kelley
Por Jurandir Britto de Freitas


As pessoas aparecem com todos os tipos de razões porque as orações por cura não são respondidas, a maioria delas colocando a responsabilidade em Deus. Ele não está fazendo mais isso, não era a Sua vontade ou Seu tempo. Ele lhe deu a sua doença para ajudá-lo a se tornar um cristão melhor. Ele respondeu sua oração e a resposta foi não e a lista continua.

É óbvio que muitas orações por cura ficam sem resposta, mas, neste estudo, gostaria que consideremos a possibilidade de que Deus não é o problema. Ele chama a Si mesmo de Deus que nos cura (Ex 15:26, Sl 103:3). Sua palavra nos diz que um dos resultados do sofrimento e da morte de Seu Filho é para que possamos ser curados (Is 53:4,5). Quando estamos doentes, Sua Palavra nos instrui a irmos aos anciãos pedindo oração e nos promete que a oração da fé nos fará bem (Tg 5:14-16). O Novo Testamento contém muitos exemplos do Senhor e Seus apóstolos curando pessoas sem um único versículo para justificar a opinião do homem que tudo isso, de alguma forma, parou. De fato, as notícias de todo o mundo nos falam de numerosas curas que acontecem em nosso tempo.

Por causa da Igreja ocidental negar tanto a existência da cura sobrenatural hoje, não existem estatísticas "oficiais" sobre as razões pelas quais orações de cura falham. Mas, tendo feito uma boa quantidade de pesquisa sobre o assunto, posso lhe dar uma lista não oficial das principais razões que curandeiros da fé de todo o espectro tem compilado ao longo dos anos.

A Falta De Perdão

De longe, a razão número um é a nossa falta de vontade de perdoar aqueles que nos ofenderam. Ao fazermos isso pensamos que estamos punindo a outra pessoa, mas acontece que somos nós os únicos que sofrem por isso. Aqui está o porquê.

Em Mateus 6:14,15 Jesus disse: "14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; 15 se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas".

Lembre-se, há dois tipos de perdão que crentes recebem. Um deles é o perdão que traz a salvação e a vida eterna. É um perdão incondicional, de uma vez por todas, que não pode ser revogado (Ef 1:13,14).

O segundo é o perdão que os crentes procuram quando pecam. É o perdão que nos mantém em comunhão com Deus enquanto estamos aqui na Terra. Este é o perdão de que João falou em 1 João 1:9:

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

Em Mateus 6:9-13, Jesus estava ensinando os discípulos a orar, dando-lhes o que chamamos de Oração do Senhor. Apenas um crente pode chamar Deus de "Nosso Pai Celestial" (Jo 1:12,13), então Jesus não estava falando sobre o perdão que traz a salvação, mas do perdão que nos mantém em boa posição com Deus. Entre outras coisas, este perdão é condicional se nós perdoarmos aqueles que pecam contra nós.

Paulo explicou isto deste modo:

26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, 27 nem deis lugar ao diabo. (Ef 4:26,27)

Se deixarmos o dia terminar sem perdoar a pessoa que nos deixou irritado estamos pecando. Isto dará ao diabo um pé de apoio em nossa vida que, se continuarmos na nossa falta de perdão, ele vai transformá-lo em uma fortaleza, fazendo-a apodrecer até que possa, realmente, se transformar em uma doença ou enfermidade. Eu sei de alguns crentes nascidos de novo, tementes a Deus, que mantiveram a sua raiva em direção a alguém que os ofendeu por décadas. Isso fez deles amargos, sem amor, desconfiados e, em alguns casos, fisicamente doentes e, ainda assim, eles inflexivelmente se recusam a perdoar a pessoa que errou. Que vidas diferentes poderiam ter tido.

Nossas orações para sermos curados de uma doença ou enfermidade causada por essa raiva vai ficar sem resposta até confessarmos os nossos pecados ao Senhor e sermos perdoados. E não podemos, simplesmente, atropelar os passos esperando que o Senhor vai nos curar se nós dissermos as palavras certas. Ele sabe os motivos do nosso coração e não fica feliz quando as pessoas tentam enganá-Lo. Temos de perdoar sinceramente a outra pessoa. Se pudermos, devemos perdoar a pessoa face a face. Se não, podemos confessar nossos pecados ao Senhor e pedir o Seu perdão.

Lembre-se, Tiago 5:16 nos diz para confessarmos os nossos pecados uns aos outros, para que possamos ser curados. A confissão nos purifica de toda injustiça (1 Jo 1:9) e faz as nossas orações poderosas e eficazes.

O Servo Incompassivo

O Senhor explicou tudo isto em maior detalhe na Parábola do Servo Incompassivo (Mt 18:21-35).

21 Então, Pedro, aproximando- se, lhe perguntou:Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Respondeu- lhe Jesus:Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. 24 E, passando a fazê- lo, trouxeram- lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. 26 Então, o servo, prostrando- se reverente, rogou:Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compadecendo- se, mandou- o embora e perdoou- lhe a dívida. 28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando- o, o sufocava, dizendo:Paga- me o que me deves. 29 Então, o seu conservo, caindo- lhe aos pés, lhe implorava:Sê paciente comigo, e te pagarei. 30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo- se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram- se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. 32 Então, o seu senhor, chamando- o, lhe disse:Servo malvado, perdoei- te aquela dívida toda porque me suplicaste; 33 não devias tu, igualmente, compadecer- te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? 34 E, indignando- se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. 35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.

O Que Isso Significa Para Nós?

Temos, muitas vezes, discutido a natureza das parábolas; como elas são histórias celestiais colocadas em um contexto terreno e como os principais personagens sempre simbolizam outros. No caso desta parábola o Rei é o Senhor, você e eu somos Seus servos, as dívidas que devemos representam os nossos pecados e o carcereiro é Satanás.

O Rei tinha perdoado uma dívida que o servo não poderia ter reembolsado em milhares de vidas e o fez simplesmente porque foi solicitado a fazer. O servo, por outro lado, exigiu o pagamento total e imediato de um amigo por uma soma muito, muito menor. Mas a questão não é a legitimidade ou, mesmo, o tamanho da dívida, é o valor comparativo. Não deveria o fato de ser liberado do fardo de uma dívida tão grande que nunca poderia pagar, fazer o servo ser mais indulgente para com o seu companheiro servo?

A demanda do servo por pagamento demonstrou sua falta de gratidão pelo que o Rei tinha feito por ele. Isso é o que despertou a ira do Rei e Ele entregou o servo para o carcereiro.

Nossa dívida de pecado contra o Senhor é, igualmente, impossível de se pagar, mas, no caso do Senhor, Ele não pode simplesmente ignorá-la. Sua exigência de justiça exige que a dívida seja paga na íntegra. Sabendo que nunca poderíamos pagá-la, Ele enviou Seu Filho para pagá-la por nós. Isso O liberou, completa e incondicionalmente, para nos perdoar só porque nós pedimos a Ele. Não se esqueça, do ponto de vista do Senhor, éramos todos assassinos, adúlteros, ladrões e blasfemos e o mais quando Ele nos perdoou (Ef 2:1-5). Estes são todos crimes puníveis com a morte. Fomos tão perdoados, portanto não é mesmo um sacrifício significativo justificável dadas as circunstâncias? Que ofensa seria tão grande para perdoar nos outros quando comparada com a que o Senhor nos perdoou?

A nossa falta de vontade de perdoar pecados legítimos que outros cometem contra nós demonstra a nossa ingratidão para com o que o Senhor fez por nós. É o resultado do duplo padrão humano típico, em que exigimos justiça dos outros enquanto esperamos misericórdia para com nós mesmos. Esta ingratidão é, em si, um pecado e, como todos os pecados não confessados, ​​pode nos fazer perder bênçãos que poderíamos, de outra forma, ter recebido. Isso também nos deixa desguarnecidos a ataques do nosso inimigo, que pode até nos sujeitar a tormentos. É por isso que, na parábola, o carcereiro representa Satanás.

A grande lição desta parábola está na declaração final do Senhor:

Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão (Mt 18:35).

Por favor, leiam com atenção. Se os seus problemas de saúde são devidos à sua recusa em perdoar alguém que o ofendeu no passado, você não pode culpar Deus. Reter a sua mágoa ou raiva tem colocado você fora de comunhão com Ele e dado ao diabo um pé de apoio em sua vida, que ele transformou em um problema de saúde para você.

Mateus 6:14,15 diz que Deus não pode perdoá-lo do seu pecado de falta de perdão até você perdoar, de coração, a quem lhe ofendeu. Seu pecado de falta de perdão está bloqueando suas orações por cura.

Não tome isto levemente. Quando pedi ao Senhor para me mostrar todas as pessoas em minha vida que não tinha conseguido perdoar, eu fiquei espantado com o número. Parece que, por semanas, todos os dias, Ele estava recordando um outro incidente à minha mente.

Faça a mesma pergunta e quando Ele trouxer alguém à mente, perdoe-o de coração. Não importa se seus sentimentos foram justificados, o Senhor teria sido justificado em Se recusar a perdoá-lo, mas Ele fez isso, de qualquer maneira. Vá e faça o mesmo.


A Bíblia gasta muito tempo neste assunto e, por isso, nós também. Nas próximas semanas vamos olhar para algumas das outras principais razões do porquê que orações de cura ficam sem resposta. Vejo você então. 22-08-15

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