PORQUE ORAÇÕES PARA CURA FALHAM - PARTE 1
Tradução do
Artigo “Why Prayers For Healing Fail, Part 1” do Pr. Jack Kelley
Por Jurandir
Britto de Freitas
As
pessoas aparecem com todos os tipos de razões porque as orações por cura não
são respondidas, a maioria delas colocando a responsabilidade em Deus. Ele não
está fazendo mais isso, não era a Sua vontade ou Seu tempo. Ele lhe deu a sua
doença para ajudá-lo a se tornar um cristão melhor. Ele respondeu sua oração e a
resposta foi não e a lista continua.
É
óbvio que muitas orações por cura ficam sem resposta, mas, neste estudo,
gostaria que consideremos a possibilidade de que Deus não é o problema. Ele
chama a Si mesmo de Deus que nos cura (Ex 15:26, Sl 103:3). Sua palavra nos diz
que um dos resultados do sofrimento e da morte de Seu Filho é para que possamos
ser curados (Is 53:4,5). Quando estamos doentes, Sua Palavra nos instrui a irmos
aos anciãos pedindo oração e nos promete que a oração da fé nos fará bem (Tg 5:14-16).
O Novo Testamento contém muitos exemplos do Senhor e Seus apóstolos curando
pessoas sem um único versículo para justificar a opinião do homem que tudo isso,
de alguma forma, parou. De fato, as notícias de todo o mundo nos falam de
numerosas curas que acontecem em nosso tempo.
Por
causa da Igreja ocidental negar tanto a existência da cura sobrenatural hoje,
não existem estatísticas "oficiais" sobre as razões pelas quais
orações de cura falham. Mas, tendo feito uma boa quantidade de pesquisa sobre o
assunto, posso lhe dar uma lista não oficial das principais razões que
curandeiros da fé de todo o espectro tem compilado ao longo dos anos.
A
Falta De Perdão
De
longe, a razão número um é a nossa falta de vontade de perdoar aqueles que nos
ofenderam. Ao fazermos isso pensamos que estamos punindo a outra pessoa, mas
acontece que somos nós os únicos que sofrem por isso. Aqui está o porquê.
Em
Mateus 6:14,15 Jesus disse: "14
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos
perdoará; 15 se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco
vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas".
Lembre-se,
há dois tipos de perdão que crentes recebem. Um deles é o perdão que traz a
salvação e a vida eterna. É um perdão incondicional, de uma vez por todas, que
não pode ser revogado (Ef 1:13,14).
O
segundo é o perdão que os crentes procuram quando pecam. É o perdão que nos
mantém em comunhão com Deus enquanto estamos aqui na Terra. Este é o perdão de que
João falou em 1 João 1:9:
Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça.
Em
Mateus 6:9-13, Jesus estava ensinando os discípulos a orar, dando-lhes o que
chamamos de Oração do Senhor. Apenas um crente pode chamar Deus de "Nosso
Pai Celestial" (Jo 1:12,13), então Jesus não estava falando sobre o perdão
que traz a salvação, mas do perdão que nos mantém em boa posição com Deus.
Entre outras coisas, este perdão é condicional se nós perdoarmos aqueles que
pecam contra nós.
Paulo
explicou isto deste modo:
26
Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, 27 nem deis lugar
ao diabo. (Ef 4:26,27)
Se
deixarmos o dia terminar sem perdoar a pessoa que nos deixou irritado estamos
pecando. Isto dará ao diabo um pé de apoio em nossa vida que, se continuarmos
na nossa falta de perdão, ele vai transformá-lo em uma fortaleza, fazendo-a
apodrecer até que possa, realmente, se transformar em uma doença ou
enfermidade. Eu sei de alguns crentes nascidos de novo, tementes a Deus, que mantiveram
a sua raiva em direção a alguém que os ofendeu por décadas. Isso fez deles
amargos, sem amor, desconfiados e, em alguns casos, fisicamente doentes e,
ainda assim, eles inflexivelmente se recusam a perdoar a pessoa que errou. Que
vidas diferentes poderiam ter tido.
Nossas
orações para sermos curados de uma doença ou enfermidade causada por essa raiva
vai ficar sem resposta até confessarmos os nossos pecados ao Senhor e sermos
perdoados. E não podemos, simplesmente, atropelar os passos esperando que o
Senhor vai nos curar se nós dissermos as palavras certas. Ele sabe os motivos
do nosso coração e não fica feliz quando as pessoas tentam enganá-Lo. Temos de
perdoar sinceramente a outra pessoa. Se pudermos, devemos perdoar a pessoa face
a face. Se não, podemos confessar nossos pecados ao Senhor e pedir o Seu
perdão.
Lembre-se,
Tiago 5:16 nos diz para confessarmos os nossos pecados uns aos outros, para que
possamos ser curados. A confissão nos purifica de toda injustiça (1 Jo 1:9) e
faz as nossas orações poderosas e eficazes.
O
Servo Incompassivo
O
Senhor explicou tudo isto em maior detalhe na Parábola do Servo Incompassivo
(Mt 18:21-35).
21
Então, Pedro, aproximando- se, lhe perguntou:Senhor, até quantas vezes meu
irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Respondeu- lhe
Jesus:Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Por isso,
o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus
servos. 24 E, passando a fazê- lo, trouxeram- lhe um que lhe devia dez mil
talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse
vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse
paga. 26 Então, o servo, prostrando- se reverente, rogou:Sê paciente comigo, e
tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compadecendo- se, mandou- o
embora e perdoou- lhe a dívida. 28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos
seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando- o, o sufocava,
dizendo:Paga- me o que me deves. 29 Então, o seu conservo, caindo- lhe aos pés,
lhe implorava:Sê paciente comigo, e te pagarei. 30 Ele, entretanto, não quis;
antes, indo- se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31 Vendo os
seus companheiros o que se havia passado, entristeceram- se muito e foram
relatar ao seu senhor tudo que acontecera. 32 Então, o seu senhor, chamando- o,
lhe disse:Servo malvado, perdoei- te aquela dívida toda porque me suplicaste;
33 não devias tu, igualmente, compadecer- te do teu conservo, como também eu me
compadeci de ti? 34 E, indignando- se, o seu senhor o entregou aos verdugos,
até que lhe pagasse toda a dívida. 35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se
do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.
O
Que Isso Significa Para Nós?
Temos,
muitas vezes, discutido a natureza das parábolas; como elas são histórias
celestiais colocadas em um contexto terreno e como os principais personagens
sempre simbolizam outros. No caso desta parábola o Rei é o Senhor, você e eu
somos Seus servos, as dívidas que devemos representam os nossos pecados e o
carcereiro é Satanás.
O
Rei tinha perdoado uma dívida que o servo não poderia ter reembolsado em
milhares de vidas e o fez simplesmente porque foi solicitado a fazer. O servo,
por outro lado, exigiu o pagamento total e imediato de um amigo por uma soma
muito, muito menor. Mas a questão não é a legitimidade ou, mesmo, o tamanho da
dívida, é o valor comparativo. Não deveria o fato de ser liberado do fardo de
uma dívida tão grande que nunca poderia pagar, fazer o servo ser mais
indulgente para com o seu companheiro servo?
A
demanda do servo por pagamento demonstrou sua falta de gratidão pelo que o Rei
tinha feito por ele. Isso é o que despertou a ira do Rei e Ele entregou o servo
para o carcereiro.
Nossa
dívida de pecado contra o Senhor é, igualmente, impossível de se pagar, mas, no
caso do Senhor, Ele não pode simplesmente ignorá-la. Sua exigência de justiça
exige que a dívida seja paga na íntegra. Sabendo que nunca poderíamos pagá-la,
Ele enviou Seu Filho para pagá-la por nós. Isso O liberou, completa e
incondicionalmente, para nos perdoar só porque nós pedimos a Ele. Não se
esqueça, do ponto de vista do Senhor, éramos todos assassinos, adúlteros,
ladrões e blasfemos e o mais quando Ele nos perdoou (Ef 2:1-5). Estes são todos
crimes puníveis com a morte. Fomos tão perdoados, portanto não é mesmo um
sacrifício significativo justificável dadas as circunstâncias? Que ofensa seria
tão grande para perdoar nos outros quando comparada com a que o Senhor nos
perdoou?
A
nossa falta de vontade de perdoar pecados legítimos que outros cometem contra
nós demonstra a nossa ingratidão para com o que o Senhor fez por nós. É o
resultado do duplo padrão humano típico, em que exigimos justiça dos outros
enquanto esperamos misericórdia para com nós mesmos. Esta ingratidão é, em si,
um pecado e, como todos os pecados não confessados, pode
nos fazer perder bênçãos que poderíamos, de
outra forma, ter recebido. Isso também nos deixa desguarnecidos a ataques do
nosso inimigo, que pode até
nos sujeitar a tormentos. É por isso que, na parábola, o carcereiro representa
Satanás.
A
grande lição desta parábola está na declaração final do Senhor:
Assim
também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu
irmão (Mt 18:35).
Por
favor, leiam com atenção. Se os seus problemas de saúde são devidos à sua
recusa em perdoar alguém que o ofendeu no passado, você não pode culpar Deus. Reter
a sua mágoa ou raiva tem colocado você fora de comunhão com Ele e dado ao diabo
um pé de apoio em sua vida, que ele transformou em um problema de saúde para
você.
Mateus
6:14,15 diz que Deus não pode perdoá-lo do seu pecado de falta de perdão até
você perdoar, de coração, a quem lhe ofendeu. Seu pecado de falta de perdão
está bloqueando suas orações por cura.
Não
tome isto levemente. Quando pedi ao Senhor para me mostrar todas as pessoas em
minha vida que não tinha conseguido perdoar, eu fiquei espantado com o número.
Parece que, por semanas, todos os dias, Ele estava recordando um outro
incidente à minha mente.
Faça
a mesma pergunta e quando Ele trouxer alguém à mente, perdoe-o de coração. Não
importa se seus sentimentos foram justificados, o Senhor teria sido justificado
em Se recusar a perdoá-lo, mas Ele fez isso, de qualquer maneira. Vá e faça o
mesmo.
A
Bíblia gasta muito tempo neste assunto e, por isso, nós também. Nas próximas
semanas vamos olhar para algumas das outras principais razões do porquê que orações
de cura ficam sem resposta. Vejo você então. 22-08-15
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