A ONIPOTENCIA, ONICIÊNCIA E SOBERANIA DE DEUS VERSUS SUA AÇÃO
Por Jurandir Britto de Freitas
Ao longo dos muitos anos de estudos, comecei a verificar muitas
deficiências de interpretação da Palavra de Deus que me levaram a escrever
recentemente o estudo preparatório a este, que intitulei “A Abordagem
Judaico-Messiânica Das Escrituras”.
Mas, além das muitas deficiências de interpretação, tenho notado
proliferarem perguntas do tipo, “Por que Deus permitiu que isso ocorresse?,
“Por que Deus fez isso comigo?”, “O que Deus queria que eu fizesse?”, “Existe
essa de “vontade permissiva” de Deus tão propalada pelos calvinistas?”, “Seria
Deus incapaz de parar a tsunami na Indonésia?”, e por aí vai.
No âmago das perguntas vejo sempre presente uma tentativa de acusação
injusta, ainda que sutil, contra Deus.
Uma das colocações mais chocantes que vi foi uma pregação do
Ricardo Gondim afirmando que o tsunami nada tinha a ver com a vontade de Deus.
Ele até ensaiou uma resposta, satisfatória em parte, mas nebulosa e omissa em
outras, e provocou um verdadeiro “tsunami” de questionamentos.
Assim, longe de querer me aprofundarn a Soberania de Deus, que é
algo que creio que somente teremos mais conhecimento quando estivermos com Ele,
me dedico a fazer este estudo para abordar o que creio que seja, talvez, um dos
principais pontos da Bíblia. Tem a ver com a onisciência e onipotência de Deus
vis-à-vis Sua ação no mundo e em nós.
Comecemos por Genesis:
Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a
nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos
céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis
que rastejam pela terra (Gn 1:26).
E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste
da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em
fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida (Gn 3:17).
Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança,
conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete (Gn 5:3).
Daqui colhemos as primeiras informações para o meu estudo.
Primeiro, somente Adão e Eva foram feitos à imagem e semelhança de
Deus. Após a queda, a imagem e semelhança de Deus se embaçou e são transmitidas
a nós, indiretamente, via descendentes de Adão. Mesmo assim, ainda as temos,
como Jesus mais tarde mencionou, mas o atributo divino mais importante que
temos é o livre-arbítrio.
Segundo, a terra e tudo o que há nela foi amaldiçoado.
Agora vamos ao primeiro livro escrito da Bíblia, o livro de Jó.
Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e
reto, temente a Deus e que se desviava do mal (Jó 1:1).
Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar- se perante o
SENHOR, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o SENHOR a Satanás:
Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear
por ela (Jó 1:6,7).
Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu
poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do
SENHOR (Jó 1:12).
Terceiro, Satanás pode entrar livremente na presença de Deus e se dirigir
a Ele diretamente. Em outras palavras, Satanás detém autoridade e poder, que
são reconhecidos e respeitados por Deus.
Quarto, Satanás já detinha, naquela época, poder sobre as coisas
materiais. Mais tarde, Jesus também confirmaria isso.
Teria sido Deus injusto ao permitir um ataque direto de Satanás
contra Jó?
Ainda o livro se desdobra em diversas trocas de informações entre
Jó e seus amigos, e diversas declarações, que não vou aqui comentar. Mas essas
conversas encorajam Jó a questionar Deus. A dúvida velada de Jó era “Por que
eu, Senhor, que sou tão íntegro?”
Quando ele o faz, Deus responde com uma primeira série de
colocações onde já podemos vislumbrar a Soberania de Deus.
Jó tenta replicar mas Deus, finalmente, entra com a tréplica e
liquida com todas as argumentações de Jó. O pecado de Jó é, finalmente,
revelado e foi ele que deu a legitimidade a Satanás de agir contra Jó.
Quinto, qual foi o pecado de Jó? Autojustiça, se julgar justo o
suficiente para questionar a Deus do porquê de seus tormentos. Este é um pecado
perigosíssimo pois afeta todos os seres humanos, numa menor ou maior escala.
Vamos atrás de mais informação.
14 Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias
no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. 15 Perfeito eras nos teus
caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. 16
Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e
pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei
perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras (Ez 28:14-16).
Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o
SENHOR, faço todas estas coisas (Is 45:7)
Sexto, Satanás ainda detém poder e autoridade, que só vai perder
quando for encarcerado por mil anos por Jesus, no início do Reino. Depois será
lançado definitivamente no Lago de Fogo. Apesar de Deus ter criado o mal, ao
menos conceitualmente, Satanás e seus exércitos é que são seus operadores.
Um bom exemplo do poder e autoridade de Satanás podem ser vistos
quando Miguel e ele guerrearam pelo corpo de Moisés e Miguel, que é um arcanjo,
ou seja, de patente inferior, não ousou fazer juízo infamatório dele (Jd 1:9).
20 E ele disse: Sabes por que eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar
contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia.
21 Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém
há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe (Dn
10:20,21).
De novo, vemos aqui dois generais de Deus, Miguel e Gabriel,
batalhando contra os exércitos de Satanás.
Sétimo, Deus, pelo Seu caráter, não violenta as hierarquias e
estruturas que criou. Vai chegar o dia do julgamento, mas, até lá, essas
hierarquias e estruturas permanecerão operativas, mesmo que antagônicas.
Agora vamos ao que Jesus nos alertou.
Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo,
passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (Jo 16:33).
Oitavo, Jesus nos diz que todos nós passaremos por aflições, ou
seja, provações.
Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno (1
Jo 5:19)
Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta
angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias
do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos,
a redenção do nosso corpo (Rm 8:22,23).
Nono, as duas informações acima nos dizem que Satanás ainda domina
o mundo, que ainda não foi remido por Jesus, o que acontecerá na Sua Segunda
Vinda.
Para terminar o arrazoado, temos apenas que olhar como é a
aplicação da nossa salvação e a sua instrumentalização.
Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para
serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito
entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que
chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também
glorificou (Rm 8:29,30).
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de
vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2:8,9).
o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno
conhecimento da verdade (1 Ti 2:4)
As passagens acima são muito conhecidas de todos os cristãos.
A de Romanos é extremamente importante, apesar da tradução
deficiente da versão Almeida Revista e Atualizada quanto aos que de antemão conheceu. A versão King James é mais precisa ao
dizer que Deus viu antecipadamente
aqueles que seriam salvos. Esta é uma informação relevante pois Deus, que é
atemporal, não é afetado pelo fator tempo, que é uma propriedade física para
nós.
A passagem de Efésios também apresenta problemas de tradução, porque
isto deveria ser isso. Assim, o que é dom de Deus nesta passagem é a graça, a
gratuidade da salvação, e não a fé. A fé é a instrumentalização da salvação,
mas também não é a fé que salva e, sim, a obediência à fé.
E outra informação extremamente importante está contida em 1
Timóteo. Deus, que não pode ser injusto, quer que todos sejam salvos, então a
obediência à fé, que é um ato de volição, de uso do livre-arbítrio, e não de
uma mera repetição de uma oração pré-fabricada, como as que estamos acostumados
a ministrar é que leva à salvação. Ela é válida? Sim, mas precisa de algo mais.
Combinando as três passagens acima, podemos facilmente entender
que Deus, que viu antecipadamente a obediência à fé de cada um dos crentes, o
predestinou, o chamou e o glorificou, tudo antes da formação dos tempos, portanto
fato consumado.
Assim, Deus não escolheu aleatoriamente quem seria salvo e quem
não, pois contradiria Sua Palavra.
Décimo, o livre-arbítrio de cada um é dos atributos mais
importantes que recebemos de Deus. Com ele podemos, inclusive, negar a Deus,
mas é o uso dele que vai nortear nossas ações, junto com outros atributos
também importantes herdados da imagem e semelhança de Deus, como a
inteligência.
Com todo este arrazoado, caminho à conclusão deste estudo,
preparando as respostas às perguntas iniciais.
Quando fomos concebidos e nascemos, Deus nos deu o fôlego da vida
para respirarmos e uma série de coisas mais, como os atributos e talentos.
A medida que crescemos, vamos recebendo informações do mundo que
vão sendo armazenados na nossa memória para uso na formação dos pensamentos
futuros.
Então, um dia, atingimos a idade da razão, aquela idade na qual
passamos a ser imputáveis pelos nossos delitos e pecados. Se morrermos neste
estágio sem Jesus, o destino final é o Lago de Fogo eterno.
De repente, num outro dia, alguém inspirado pelo Santo Espírito nos
apresenta a mensagem do Evangelho, que é Jesus nos chamando.
Então, com o nosso livre-arbítrio em ação, nos convencemos que
somos pecadores, reconhecemos que Jesus pagou o preço pelos nossos pecados,
morreu e ressuscitou (1 Co15:3,4). Então, em obediência à fé num ato de
volição, passamos a seguir a Jesus e, assim nascemos de novo.
Num primeiro instante nada acontece no campo físico, apenas no
campo espiritual, com o novo nascimento. Mas o Espírito Santo passa a habitar
em nós.
Vamos partir da premissa que nenhum de nós, gentios de nascimento,
tinha um conhecimento adequado da Bíblia, eventualmente apenas uma leve noção, então
é suposto passarmos a estuda-la com afinco, com o suporte do Espírito Santo.
Mas a grande instrução está contida em Romanos 12:1,2:
1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que
apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é
o vosso culto racional. 2 E não vos conformeis com este século, mas
transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja
a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
De novo um problema de tradução da ARA. Culto racional deve ser entendido, em função de versões mais
precisas, como trabalho razoável, ou trabalho razoavelmente remunerado.
E, à medida que avançamos na nossa vida secular e estudamos a
Bíblia, temos que substituir o lixo mundano que está entulhado na nossa
memória, renovando a nossa mente com o que nos é ensinado na Palavra de Deus.
Não se esqueçam, conforme comentei em meu estudo anterior “A
Abordagem Judaico-Messiânica Das Escrituras”, que nós, gentios, nunca fomos
obrigados pela Lei de Moisés, que terminou com a morte de Jesus.
O nosso ordenamento jurídico é a Lei de Cristo, composta de
aproximadamente 330 ordenanças e princípios, contidos nas Epístolas e
facilmente identificáveis pelo uso do verbo no tempo imperativo. Encorajo a
todos a fazerem uma leitura corrida das Epístolas buscando esses verbos e
identificando as ordenanças respectivas; é extremamente edificante e gratificante.
Assim, a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus para conosco está toda contida nas Escrituras.
Então, temos que exercer um trabalho razoavelmente remunerado, que
nos dará um sustento para suportar o nosso ministério de divulgação do
Evangelho, sem nos esquecermos que Deus não inibe o nosso livre-arbítrio, no
ambiente em que nos inseriu. O Espírito Santo que habita em nós é nosso
Conselheiro e Consolador, mas não violenta as nossas decisões. Em palavras
exatas, somos os únicos responsáveis pelas nossas decisões e temos que aguentar
as consequências delas.
Logo após o Senhor nos dar estas instruções via Paulo, Ele começou
a descrever os dons que nos são concedidos para o trabalho ministerial.
Evidente que se demora vários anos para atingirmos um estágio de
maturidade como o Senhor deseja de nós, mas, quando atingimos, vamos poder
fazer tudo o que o Senhor fez quando na Terra, como propagar o Evangelho com
poder, curar enfermos, expulsar demônios, mover montanhas (dito), andar sobre
as águas, acalmar tempestades e tantas outras coisas mais, SE TIVERMOS A FÉ
NECESSÁRIA, conforme Ele atesta.
Mas, independentemente do grau de maturidade atingido, o Senhor já
nos havia alertado que neste mundo teremos aflições (tribulações), que o mundo
jaz no Maligno e que Deus não é o autor do mal, mas o Maligno e seus comandados.
Se estivermos em comunhão com Deus (vide meu estudo “A
Importantíssima Disciplina Da Confissão Dos Pecados”), quando formos envolvidos
em alguma tribulação a solução está em Tiago 1:2-8:
2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por
várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada,
produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que
sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes. 5 Se, porém, algum de vós
necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes
impropera; e ser-lhe-á concedida. 6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando;
pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7
Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; 8 homem de ânimo
dobre, inconstante em todos os seus caminhos.
Existem três possibilidades para a tribulação: problemas físicos,
materiais ou espirituais.
Não vou comentar sobre problemas físicos que necessitam de curas,
que foi amplamente abordado na série sobre curas do Pr. Jack Kelley que traduzi
recentemente.
Os problemas materiais, diretos ou indiretos, estão
intrinsecamente relacionados com o uso do nosso livre-arbítrio. Somente nós
somos responsáveis pelas consequências das nossas decisões ou omissões.
A solução para isso está descrita acima e precisamos pedir a Deus
sabedoria para superá-las. Também de Deus vem a sabedoria para tocarmos o nosso
dia-a-dia, então precisamos estar em comunhão permanente com o Senhor e sermos
bons conhecedores da Sua Palavra.
É evidente que o nosso sucesso material também vem de Deus, que
abre as possibilidades, nos coloca num determinado ambiente e nos dá talentos,
mas cabe a cada um de nós fazermos as coisas acontecerem.
Mas, de acordo com Colossenses 1:20-22, sabemos que, por meio de
Jesus, temos a reconciliação de todas as coisas com Deus, portanto não existe
nada que funcione na base de causa e efeito. Sabemos também que todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28).
Com relação aos problemas espirituais temos os procedimentos em
Efésios 6:11-18
11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar
firmes contra as ciladas do diabo; 12 porque a nossa luta não é contra o sangue
e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores
deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões
celestes. 13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir
no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Estai,
pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo- vos da couraça da justiça.
15 Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; 16 embraçando sempre o
escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
17 Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de
Deus; 18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para
isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos
O dia ruim mencionado é aquela situação em tudo parece conspirar
contra o crente. Se as forças inimigas compostas de principados, potestades,
dominadores e forças tenebrosas não conseguem sobrepujar o crente, elas vão
atacar outras pessoas nas suas proximidades, crentes e não crentes, tentando
minar sua resistência e/ou atrapalhar seu avanço.
O ataque nunca será físico, como diz acima, mas através de dardos
inflamados, que são ideias maléficas colocadas no portal da mente das pessoas.
Mas um crente maduro e bem preparado, poderá superar o ataque pela
resistência e o diabo desistirá. Mesmo que sofra um assédio mental bastante
intenso, o crente tem autoridade espiritual para expulsar demônios. Esta é uma
situação que serve de alerta para o crente verificar se não tem algum pecado
inconfesso, pedir perdão e recompor sua comunhão com Deus.
Afinal, quantas bênçãos e livramentos temos recebido e presenciado
como crentes? Não foram elas respostas de orações? Certamente que foram.
Então já podemos responder algumas das perguntas colocadas no
preâmbulo: “Por que Deus permitiu que isso ocorresse?, “Por que Deus fez isso
comigo?”, “O que Deus queria que eu fizesse?”, “Existe essa de “vontade
permissiva” de Deus tão propalada pelos calvinistas?”.
Primeiramente, se Deus não retribui nossas ações más pois Se
reconciliou conosco, se vamos passar por tribulações neste mundo, que jaz no
Maligno, então nunca podemos acusar Deus de nada.
Em segundo lugar, a argumentação da vontade permissiva de Deus,
pelos mesmos motivos, não se sustenta à luz da Sua Palavra, pois, mesmo que
fosse possível, Deus, que é onipotente, onisciente e onipresente, seria omisso,
o que Deus definitivamente não é.
Então, um crente maduro e bem preparado não pode se dar à ousadia
de nem mesmo se fazer tais perguntas, quanto mais externa-las. Além disso,
precisa estar preparado para responde-las adequadamente e não são poucas as
vezes que elas aparecem.
Finalizando este estudo, e quanto à pergunta “Seria Deus incapaz
de parar o tsunami na Indonésia?”
A Bíblia nos informa que Deus tem um Plano, que está descrito nas
Escrituras. Este plano é centrado em Jesus e, em segundo plano, em Israel, e é
detalhado por milhares de profecias que foram sendo cumpridas ou que ainda
serão cumpridas. A Igreja, que era um mistério não revelado, abriu um espaço no
tempo no Plano de Deus revelado anteriormente, sem alterá-lo.
Assim, se um acidente climático ou geológico ocorreu, como um
tsunami, que não estivesse especificamente descrito no Plano de Deus, obviamente
Ele não o parou, mesmo sendo onisciente, onipresente e onipotente.
O fato dEle ser onisciente, portanto conhecer eventos antes da sua
ocorrência, e ser onipresente e onipotente, não significa que vá agir. Pode
agir, pois é onipotente, mas não o faz diretamente.
Um grande exemplo disso é que crentes podem parar ou desviar esses
acidentes e eventos com o uso da autoridade espiritual delegada. Deus não parou
o tsunami da Indonésia mas livrou uma comunidade inteira de crentes, levando-os
para terras altas. Isto é um pequeno testemunho da onisciência de Deus.
Eu mesmo já me vi, várias vezes, fustigado por tempestades e marés
violentas, que se desviaram ao meu comando espiritual.
São sobejamente conhecidos inúmeros casos de crentes que fizeram
tornados se desviarem. O furacão Katrina na última hora, por comando espiritual
de um grupo de crentes, se desviou e não atingiu New Orleans em cheio, o que a destruiria
completamente.
Finalizando, por causa desta última pergunta, entramos na área da
Soberania de Deus. O que sabemos dela?
Como seres humanos, não muita coisa, pois não estamos num nível que
possamos compreender plenamente Deus. Somente com um corpo ressurreto e estando
na presença de Deus, creio que poderemos atingir um entendimento mais adequado
sobre o assunto.
A Soberania de Deus não pode ser medida por padrões humanos mas
pode ser visualizada e sentida. Deus revelou Seu Plano imutável nas Escrituras
através de Seus ensinamentos e milhares de profecias que, como atestei acima,
foram sendo cumpridas ou serão ainda cumpridas.
São bastante nítidos Seus padrões de caráter, de como respeita Sua
Palavra, Seu Plano imutável, Sua Criação, as estruturas e hierarquias que
criou, bem como Suas leis, que regem o funcionamento de todas as coisas
criadas. Ele não é um ser temperamental e indeciso e, para todos os seres
criados, tem-Se mostrado irrevogável e irretratável em Seu caráter, mesmo que
as pessoas não entendam ou aceitem.
Nós, como seres humanos finitos, não temos condições de afirmar
nada e nem de saber se Deus mudou ou não mudou alguma coisa tais como a
ocorrência de eventos que Ele não revelou em Seu Plano. O que sabemos dEle é que
é onisciente, onipresente e onipotente, e isso deveria nos bastar. Isto, por si
só, denota um ser soberano e único.
Somos apenas testemunhas do cumprimento de Suas profecias e
beneficiários de milagres e livramentos, que tomamos conhecimento ou que podem passar
completamente desapercebidos.
Soberania, portanto, não é algo que se adquire ou se constrói. Soberania
ou se tem ou não se tem. Mesmo a pretensa soberania de reis ou governantes
humanos não é soberania no sentido exato pois não é eterna. Em resumo, a única
Soberania é a de Deus, que permite que Ele possa fazer ou deixar de fazer tudo
o que queira.
Deus é tão absolutamente soberano que permite que seres criados,
como os homens e Satanás e seus exércitos possam ter uma razoável liberdade de
ação, a ponto até de renegarem ou questionarem as ações do próprio Deus, como
analisei na primeira parte deste estudo, sem comprometer em nada Sua Soberania.
E são a Sua Soberania e Caráter que nos garantem o que temos de
mais valioso na nossa estadia aqui, a nossa salvação eterna. E é com a nossa
salvação que vamos habitar com Ele, com Jesus e com o Espírito Santo
eternamente, e conhecer adequadamente a Soberania de Deus. Amém!
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