quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A ONIPOTÊNCIA E SOBERANIA DE DEUS

A ONIPOTENCIA, ONICIÊNCIA E SOBERANIA DE DEUS VERSUS SUA AÇÃO

Por Jurandir Britto de Freitas

Ao longo dos muitos anos de estudos, comecei a verificar muitas deficiências de interpretação da Palavra de Deus que me levaram a escrever recentemente o estudo preparatório a este, que intitulei “A Abordagem Judaico-Messiânica Das Escrituras”.

Mas, além das muitas deficiências de interpretação, tenho notado proliferarem perguntas do tipo, “Por que Deus permitiu que isso ocorresse?, “Por que Deus fez isso comigo?”, “O que Deus queria que eu fizesse?”, “Existe essa de “vontade permissiva” de Deus tão propalada pelos calvinistas?”, “Seria Deus incapaz de parar a tsunami na Indonésia?”, e por aí vai.

No âmago das perguntas vejo sempre presente uma tentativa de acusação injusta, ainda que sutil, contra Deus.

Uma das colocações mais chocantes que vi foi uma pregação do Ricardo Gondim afirmando que o tsunami nada tinha a ver com a vontade de Deus. Ele até ensaiou uma resposta, satisfatória em parte, mas nebulosa e omissa em outras, e provocou um verdadeiro “tsunami” de questionamentos. 

Assim, longe de querer me aprofundarn a Soberania de Deus, que é algo que creio que somente teremos mais conhecimento quando estivermos com Ele, me dedico a fazer este estudo para abordar o que creio que seja, talvez, um dos principais pontos da Bíblia. Tem a ver com a onisciência e onipotência de Deus vis-à-vis Sua ação no mundo e em nós.

Comecemos por Genesis:

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra (Gn 1:26).
 
E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida (Gn 3:17).

Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete (Gn 5:3).

Daqui colhemos as primeiras informações para o meu estudo.

Primeiro, somente Adão e Eva foram feitos à imagem e semelhança de Deus. Após a queda, a imagem e semelhança de Deus se embaçou e são transmitidas a nós, indiretamente, via descendentes de Adão. Mesmo assim, ainda as temos, como Jesus mais tarde mencionou, mas o atributo divino mais importante que temos é o livre-arbítrio.

Segundo, a terra e tudo o que há nela foi amaldiçoado.

Agora vamos ao primeiro livro escrito da Bíblia, o livro de Jó.

Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal (Jó 1:1).

Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar- se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o SENHOR a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela (Jó 1:6,7).

Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR (Jó 1:12).

Terceiro, Satanás pode entrar livremente na presença de Deus e se dirigir a Ele diretamente. Em outras palavras, Satanás detém autoridade e poder, que são reconhecidos e respeitados por Deus.

Quarto, Satanás já detinha, naquela época, poder sobre as coisas materiais. Mais tarde, Jesus também confirmaria isso.

Teria sido Deus injusto ao permitir um ataque direto de Satanás contra Jó?

Ainda o livro se desdobra em diversas trocas de informações entre Jó e seus amigos, e diversas declarações, que não vou aqui comentar. Mas essas conversas encorajam Jó a questionar Deus. A dúvida velada de Jó era “Por que eu, Senhor, que sou tão íntegro?”

Quando ele o faz, Deus responde com uma primeira série de colocações onde já podemos vislumbrar a Soberania de Deus.

Jó tenta replicar mas Deus, finalmente, entra com a tréplica e liquida com todas as argumentações de Jó. O pecado de Jó é, finalmente, revelado e foi ele que deu a legitimidade a Satanás de agir contra Jó.

Quinto, qual foi o pecado de Jó? Autojustiça, se julgar justo o suficiente para questionar a Deus do porquê de seus tormentos. Este é um pecado perigosíssimo pois afeta todos os seres humanos, numa menor ou maior escala.

Vamos atrás de mais informação.

14 Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. 15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. 16 Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras (Ez 28:14-16).

Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas (Is 45:7)

Sexto, Satanás ainda detém poder e autoridade, que só vai perder quando for encarcerado por mil anos por Jesus, no início do Reino. Depois será lançado definitivamente no Lago de Fogo. Apesar de Deus ter criado o mal, ao menos conceitualmente, Satanás e seus exércitos é que são seus operadores.

Um bom exemplo do poder e autoridade de Satanás podem ser vistos quando Miguel e ele guerrearam pelo corpo de Moisés e Miguel, que é um arcanjo, ou seja, de patente inferior, não ousou fazer juízo infamatório dele (Jd 1:9).

20 E ele disse: Sabes por que eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. 21 Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe (Dn 10:20,21).

De novo, vemos aqui dois generais de Deus, Miguel e Gabriel, batalhando contra os exércitos de Satanás.

Sétimo, Deus, pelo Seu caráter, não violenta as hierarquias e estruturas que criou. Vai chegar o dia do julgamento, mas, até lá, essas hierarquias e estruturas permanecerão operativas, mesmo que antagônicas.
 
Agora vamos ao que Jesus nos alertou.

Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (Jo 16:33).

Oitavo, Jesus nos diz que todos nós passaremos por aflições, ou seja, provações.

Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno (1 Jo 5:19)

Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo (Rm 8:22,23).

Nono, as duas informações acima nos dizem que Satanás ainda domina o mundo, que ainda não foi remido por Jesus, o que acontecerá na Sua Segunda Vinda. 

Para terminar o arrazoado, temos apenas que olhar como é a aplicação da nossa salvação e a sua instrumentalização.

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm 8:29,30).

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2:8,9).

o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Ti 2:4)

As passagens acima são muito conhecidas de todos os cristãos.

A de Romanos é extremamente importante, apesar da tradução deficiente da versão Almeida Revista e Atualizada quanto aos que de antemão conheceu. A versão King James é mais precisa ao dizer que Deus viu antecipadamente aqueles que seriam salvos. Esta é uma informação relevante pois Deus, que é atemporal, não é afetado pelo fator tempo, que é uma propriedade física para nós.

A passagem de Efésios também apresenta problemas de tradução, porque isto deveria ser isso. Assim, o que é dom de Deus nesta passagem é a graça, a gratuidade da salvação, e não a fé. A fé é a instrumentalização da salvação, mas também não é a fé que salva e, sim, a obediência à fé.

E outra informação extremamente importante está contida em 1 Timóteo. Deus, que não pode ser injusto, quer que todos sejam salvos, então a obediência à fé, que é um ato de volição, de uso do livre-arbítrio, e não de uma mera repetição de uma oração pré-fabricada, como as que estamos acostumados a ministrar é que leva à salvação. Ela é válida? Sim, mas precisa de algo mais.

Combinando as três passagens acima, podemos facilmente entender que Deus, que viu antecipadamente a obediência à fé de cada um dos crentes, o predestinou, o chamou e o glorificou, tudo antes da formação dos tempos, portanto fato consumado.

Assim, Deus não escolheu aleatoriamente quem seria salvo e quem não, pois contradiria Sua Palavra.

Décimo, o livre-arbítrio de cada um é dos atributos mais importantes que recebemos de Deus. Com ele podemos, inclusive, negar a Deus, mas é o uso dele que vai nortear nossas ações, junto com outros atributos também importantes herdados da imagem e semelhança de Deus, como a inteligência.

Com todo este arrazoado, caminho à conclusão deste estudo, preparando as respostas às perguntas iniciais.

Quando fomos concebidos e nascemos, Deus nos deu o fôlego da vida para respirarmos e uma série de coisas mais, como os atributos e talentos.

A medida que crescemos, vamos recebendo informações do mundo que vão sendo armazenados na nossa memória para uso na formação dos pensamentos futuros.

Então, um dia, atingimos a idade da razão, aquela idade na qual passamos a ser imputáveis pelos nossos delitos e pecados. Se morrermos neste estágio sem Jesus, o destino final é o Lago de Fogo eterno.

De repente, num outro dia, alguém inspirado pelo Santo Espírito nos apresenta a mensagem do Evangelho, que é Jesus nos chamando.

Então, com o nosso livre-arbítrio em ação, nos convencemos que somos pecadores, reconhecemos que Jesus pagou o preço pelos nossos pecados, morreu e ressuscitou (1 Co15:3,4). Então, em obediência à fé num ato de volição, passamos a seguir a Jesus e, assim nascemos de novo.

Num primeiro instante nada acontece no campo físico, apenas no campo espiritual, com o novo nascimento. Mas o Espírito Santo passa a habitar em nós.

Vamos partir da premissa que nenhum de nós, gentios de nascimento, tinha um conhecimento adequado da Bíblia, eventualmente apenas uma leve noção, então é suposto passarmos a estuda-la com afinco, com o suporte do Espírito Santo.

Mas a grande instrução está contida em Romanos 12:1,2:

1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

De novo um problema de tradução da ARA. Culto racional deve ser entendido, em função de versões mais precisas, como trabalho razoável, ou trabalho razoavelmente remunerado.

E, à medida que avançamos na nossa vida secular e estudamos a Bíblia, temos que substituir o lixo mundano que está entulhado na nossa memória, renovando a nossa mente com o que nos é ensinado na Palavra de Deus.

Não se esqueçam, conforme comentei em meu estudo anterior “A Abordagem Judaico-Messiânica Das Escrituras”, que nós, gentios, nunca fomos obrigados pela Lei de Moisés, que terminou com a morte de Jesus.

O nosso ordenamento jurídico é a Lei de Cristo, composta de aproximadamente 330 ordenanças e princípios, contidos nas Epístolas e facilmente identificáveis pelo uso do verbo no tempo imperativo. Encorajo a todos a fazerem uma leitura corrida das Epístolas buscando esses verbos e identificando as ordenanças respectivas; é extremamente edificante e gratificante.

Assim, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para conosco está toda contida nas Escrituras.

Então, temos que exercer um trabalho razoavelmente remunerado, que nos dará um sustento para suportar o nosso ministério de divulgação do Evangelho, sem nos esquecermos que Deus não inibe o nosso livre-arbítrio, no ambiente em que nos inseriu. O Espírito Santo que habita em nós é nosso Conselheiro e Consolador, mas não violenta as nossas decisões. Em palavras exatas, somos os únicos responsáveis pelas nossas decisões e temos que aguentar as consequências delas.

Logo após o Senhor nos dar estas instruções via Paulo, Ele começou a descrever os dons que nos são concedidos para o trabalho ministerial.

Evidente que se demora vários anos para atingirmos um estágio de maturidade como o Senhor deseja de nós, mas, quando atingimos, vamos poder fazer tudo o que o Senhor fez quando na Terra, como propagar o Evangelho com poder, curar enfermos, expulsar demônios, mover montanhas (dito), andar sobre as águas, acalmar tempestades e tantas outras coisas mais, SE TIVERMOS A FÉ NECESSÁRIA, conforme Ele atesta.

Mas, independentemente do grau de maturidade atingido, o Senhor já nos havia alertado que neste mundo teremos aflições (tribulações), que o mundo jaz no Maligno e que Deus não é o autor do mal, mas o Maligno e seus comandados.

Se estivermos em comunhão com Deus (vide meu estudo “A Importantíssima Disciplina Da Confissão Dos Pecados”), quando formos envolvidos em alguma tribulação a solução está em Tiago 1:2-8:

2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes. 5 Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. 6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7 Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; 8 homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.

Existem três possibilidades para a tribulação: problemas físicos, materiais ou espirituais.

Não vou comentar sobre problemas físicos que necessitam de curas, que foi amplamente abordado na série sobre curas do Pr. Jack Kelley que traduzi recentemente.

Os problemas materiais, diretos ou indiretos, estão intrinsecamente relacionados com o uso do nosso livre-arbítrio. Somente nós somos responsáveis pelas consequências das nossas decisões ou omissões.

A solução para isso está descrita acima e precisamos pedir a Deus sabedoria para superá-las. Também de Deus vem a sabedoria para tocarmos o nosso dia-a-dia, então precisamos estar em comunhão permanente com o Senhor e sermos bons conhecedores da Sua Palavra.

É evidente que o nosso sucesso material também vem de Deus, que abre as possibilidades, nos coloca num determinado ambiente e nos dá talentos, mas cabe a cada um de nós fazermos as coisas acontecerem.

Mas, de acordo com Colossenses 1:20-22, sabemos que, por meio de Jesus, temos a reconciliação de todas as coisas com Deus, portanto não existe nada que funcione na base de causa e efeito. Sabemos também que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28).

Com relação aos problemas espirituais temos os procedimentos em Efésios 6:11-18

11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; 12 porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. 13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo- vos da couraça da justiça. 15 Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; 16 embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; 18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos

O dia ruim mencionado é aquela situação em tudo parece conspirar contra o crente. Se as forças inimigas compostas de principados, potestades, dominadores e forças tenebrosas não conseguem sobrepujar o crente, elas vão atacar outras pessoas nas suas proximidades, crentes e não crentes, tentando minar sua resistência e/ou atrapalhar seu avanço.

O ataque nunca será físico, como diz acima, mas através de dardos inflamados, que são ideias maléficas colocadas no portal da mente das pessoas.

Mas um crente maduro e bem preparado, poderá superar o ataque pela resistência e o diabo desistirá. Mesmo que sofra um assédio mental bastante intenso, o crente tem autoridade espiritual para expulsar demônios. Esta é uma situação que serve de alerta para o crente verificar se não tem algum pecado inconfesso, pedir perdão e recompor sua comunhão com Deus.

Afinal, quantas bênçãos e livramentos temos recebido e presenciado como crentes? Não foram elas respostas de orações? Certamente que foram.

Então já podemos responder algumas das perguntas colocadas no preâmbulo: “Por que Deus permitiu que isso ocorresse?, “Por que Deus fez isso comigo?”, “O que Deus queria que eu fizesse?”, “Existe essa de “vontade permissiva” de Deus tão propalada pelos calvinistas?”.

Primeiramente, se Deus não retribui nossas ações más pois Se reconciliou conosco, se vamos passar por tribulações neste mundo, que jaz no Maligno, então nunca podemos acusar Deus de nada.

Em segundo lugar, a argumentação da vontade permissiva de Deus, pelos mesmos motivos, não se sustenta à luz da Sua Palavra, pois, mesmo que fosse possível, Deus, que é onipotente, onisciente e onipresente, seria omisso, o que Deus definitivamente não é.

Então, um crente maduro e bem preparado não pode se dar à ousadia de nem mesmo se fazer tais perguntas, quanto mais externa-las. Além disso, precisa estar preparado para responde-las adequadamente e não são poucas as vezes que elas aparecem.

Finalizando este estudo, e quanto à pergunta “Seria Deus incapaz de parar o tsunami na Indonésia?”

A Bíblia nos informa que Deus tem um Plano, que está descrito nas Escrituras. Este plano é centrado em Jesus e, em segundo plano, em Israel, e é detalhado por milhares de profecias que foram sendo cumpridas ou que ainda serão cumpridas. A Igreja, que era um mistério não revelado, abriu um espaço no tempo no Plano de Deus revelado anteriormente, sem alterá-lo.

Assim, se um acidente climático ou geológico ocorreu, como um tsunami, que não estivesse especificamente descrito no Plano de Deus, obviamente Ele não o parou, mesmo sendo onisciente, onipresente e onipotente.

O fato dEle ser onisciente, portanto conhecer eventos antes da sua ocorrência, e ser onipresente e onipotente, não significa que vá agir. Pode agir, pois é onipotente, mas não o faz diretamente.

Um grande exemplo disso é que crentes podem parar ou desviar esses acidentes e eventos com o uso da autoridade espiritual delegada. Deus não parou o tsunami da Indonésia mas livrou uma comunidade inteira de crentes, levando-os para terras altas. Isto é um pequeno testemunho da onisciência de Deus.

Eu mesmo já me vi, várias vezes, fustigado por tempestades e marés violentas, que se desviaram ao meu comando espiritual.

São sobejamente conhecidos inúmeros casos de crentes que fizeram tornados se desviarem. O furacão Katrina na última hora, por comando espiritual de um grupo de crentes, se desviou e não atingiu New Orleans em cheio, o que a destruiria completamente.

Finalizando, por causa desta última pergunta, entramos na área da Soberania de Deus. O que sabemos dela?

Como seres humanos, não muita coisa, pois não estamos num nível que possamos compreender plenamente Deus. Somente com um corpo ressurreto e estando na presença de Deus, creio que poderemos atingir um entendimento mais adequado sobre o assunto.

A Soberania de Deus não pode ser medida por padrões humanos mas pode ser visualizada e sentida. Deus revelou Seu Plano imutável nas Escrituras através de Seus ensinamentos e milhares de profecias que, como atestei acima, foram sendo cumpridas ou serão ainda cumpridas.

São bastante nítidos Seus padrões de caráter, de como respeita Sua Palavra, Seu Plano imutável, Sua Criação, as estruturas e hierarquias que criou, bem como Suas leis, que regem o funcionamento de todas as coisas criadas. Ele não é um ser temperamental e indeciso e, para todos os seres criados, tem-Se mostrado irrevogável e irretratável em Seu caráter, mesmo que as pessoas não entendam ou aceitem.

Nós, como seres humanos finitos, não temos condições de afirmar nada e nem de saber se Deus mudou ou não mudou alguma coisa tais como a ocorrência de eventos que Ele não revelou em Seu Plano. O que sabemos dEle é que é onisciente, onipresente e onipotente, e isso deveria nos bastar. Isto, por si só, denota um ser soberano e único.

Somos apenas testemunhas do cumprimento de Suas profecias e beneficiários de milagres e livramentos, que tomamos conhecimento ou que podem passar completamente desapercebidos.

Soberania, portanto, não é algo que se adquire ou se constrói. Soberania ou se tem ou não se tem. Mesmo a pretensa soberania de reis ou governantes humanos não é soberania no sentido exato pois não é eterna. Em resumo, a única Soberania é a de Deus, que permite que Ele possa fazer ou deixar de fazer tudo o que queira.

Deus é tão absolutamente soberano que permite que seres criados, como os homens e Satanás e seus exércitos possam ter uma razoável liberdade de ação, a ponto até de renegarem ou questionarem as ações do próprio Deus, como analisei na primeira parte deste estudo, sem comprometer em nada Sua Soberania.

E são a Sua Soberania e Caráter que nos garantem o que temos de mais valioso na nossa estadia aqui, a nossa salvação eterna. E é com a nossa salvação que vamos habitar com Ele, com Jesus e com o Espírito Santo eternamente, e conhecer adequadamente a Soberania de Deus. Amém!     


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